São pequenas histórias da aldeia de Malta, das suas gentes, dos trabalhos agrícolas, da minha ligação a Pinhel, do esforço que a minha família realizou para que eu pudesse estudar, e um sem número de pequenas coisas, que quero transmitir aos meus netos e a todos os que se interessarem pelas coisas desta aldeia e da sua gente.
Começo por descrever a aldeia nessa época, e evocar o nome de algumas das famílias de que me lembro.
Falo da minha casa no largo da Amoreira, dos meus avós e pais descrevendo alguns episódios e atitudes que mereceram a minha consideração e foram a minha estrela guia ao longo da minha vida.
Falo da Ester do Cura, da Lídia, da Irene da Rosa, meninas pouco mais velhas do que eu, em casa de quem meus pais me deixavam quando tinham de trabalhar no campo.
Falo depois da minha escola primária, um salão amplo de uma casa de habitação junto ao cruzeiro e estrada, e das recordações das minhas professoras que tanto marcaram a minha vida.
Casos reais desse período, como o “Fugitivo da Guerra Civil Espanhola”, que com a nossa ajuda conseguiu sempre escapar à GNR, a “Construção da Torre da Igreja” e a “Compra do relógio” para esta e como o dinheiro foi transportado até Almada, e da “Missão Apostólica” de um frade capuchinho na Malta
Relato episódios e fainas agrícolas, algumas hoje completamente em desuso, como a rega feita a partir do engenho da nora, a ceifa e malha manual do centeio e a transição para a malha mecânica, a condução dos bois aos lameiros para pastar, a faina do tratamento do linho, a matança do porco
Não podia deixar de recordar os dias festivos da aldeia, como a Fogueira e a Consoada ou Ceia do Natal, a Páscoa os parceiros e as rezas, os ovos cozidos coloridos com cascas de cebola, a festa da Senhora do Moral, o Entrudo, as fogueiras do S. João.
Não deixei de referir a religiosidade e devoção da minha mãe a Nossa Senhora da Ajuda e as deslocações à sua festa em Malhada Sorda perto de Vilar Formoso, mas também algumas crendices da população, como o “Atalhar o Sol com um copo de água e um pano de linho”, o mau olhado e outras rezas.
Não podia deixar de relatar as minhas deslocações de bicicleta da aldeia para o Externato Liceal de Pinhel, incluindo os dias de inverno rigoroso em que uma folha de jornal forrava o peito e as mãos dentro das camisolas e luvas de lã para conseguir resistir ao frio na descida até à ribeira da pega, bicicleta essa onde aprenderam a andar alguns dos meus amigos.
Algumas peripécias ocorridas no Colégio, como a história da minha ida a Fátima e a cena do Pluviométro em vez de Pluviómetro, da bomba de carnaval junto à policia, e o assalto às cerejas da quinta do Dr João Teles e a ligação deste caso com a cerejeira da GNR que os alunos do colégio durante vários anos roubaram durante a noite.
Para finalizar já alguns episódios em que interveio a minha namorada, hoje minha mulher, como um “Passeio à Serra de Estrela” ou encontro no “Comboio da Beira Alta para Coimbra” em que meu futuro sogro entregou a mala da filha a um rapaz simpático que a ajudou a subir para o comboio superlotado, nem sonhando que era o namorado da filha.
Espero que para ti e para muitos que sabem apreciar a beleza das nossas aldeias e da nossa Beira, seja um prazer ler a simplicidade do meu relato